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Por que investir em ETFs?

15/06/2023

Saiba por que os grandes investidores como fundos de pensão e grandes gestores de fortunas gostam tanto desse produto.

Os benefícios para investir em ETFs (Exchange Traded Funds ou fundos negociados em bolsa) são inúmeros, mas destacam-se aqueles aspectos que o mercado mais procura: baixo custo, liquidez, transparência e acessibilidade. Esses quatro pontos combinados tornam os ETFs uma das estruturas mais eficientes para investimentos a curto ou longo prazo.

Os ETFs permitem que o investidor comum tenha acesso a produtos que anteriormente só estavam disponíveis a grandes investidores.

Não é à toa que os fundos indexados dominaram os mercados financeiros mais desenvolvidos do mundo.

Desde 2018 nos EUA, os fundos indexados somam a maior parte dos investimentos em fundos de ações. Os dados mais recentes mostram que os fundos indexados globalmente chegaram ao incrível patamar de 10 trilhões de dólares investidos.

Mercado financeiro na prática: principais benefícios dos ETFs

Custos mais baixos

Investir não é fácil. Para começar você precisa acumular um excesso de recursos pessoais. Ou seja, já trabalhou, ganhou, pagou impostos, consumiu e poupou. A partir daí, começa a jornada da decisão de investir.

Depois de tanto trabalho, custos e impostos, não seria hora de tentar minimizar esses três pontos? Afinal, esse excesso de recursos já pagou muitos pedágios ao longo do caminho.

Os ETFs permitem investir com pouco trabalho, baixo custo e, em alguns casos, menos impostos.

Precisamos falar sobre taxas

Hoje, a maior parte dos fundos de investimento cobram 2% ao ano sobre o seu patrimônio para gestão dos seus recursos. Caso essa gestão gere um retorno superior ao índice de comparação (que em grande parte das vezes não é o caso) ainda é cobrado 20% sobre esse excedente dos ganhos. Essa estrutura de custos é conhecida como “dois com vinte”.

2% pode parecer pouco, mas é bastante sobre um dinheiro que já batalhou muito para chegar até aqui. Em 5 anos são 10% do seu capital investido (sem levar em conta variações de rentabilidade). Em 10 anos serão 20% do seu capital em taxas de gestão. E vamos pensar bem, em termos de investimento, 10 anos passam muito rápido.

Sob outra perspectiva, para ficar no “zero a zero” a gestão que cobra 2% ao ano, precisa consistentemente entregar esse percentual como excesso de retorno, também conhecido como “alfa”. Esse feito é tão difícil, que entre milhares de casos (fundos), os gestores que conseguem manter isso ao longo de muitos anos são conhecidos como “lendas do mercado”.

Se você investidor conseguir diminuir e manter as taxas de seus investimentos baixas, já poderá figurar entre os melhores gestores do mercado.

A totalidade dos ETFs disponíveis hoje em bolsa têm taxas menores do que 2%. Além disso, ETFs não cobram taxa de performance, ou seja, todo excesso de retorno da estratégia é do investidor e ele não precisa dividir isso com mais ninguém.

Isolando o alfa

A discussão é longa, mas ao isolar fatores e setores, conseguimos encontrar estratégias que consistentemente superam o Ibovespa. Em mercados direcionais, ativos menos líquidos pagam prêmios em suas performances.

Antes dos ETFs, para acessar prêmios de risco isolados, fazia-se necessária a figura de um intermediador, mas agora com a possibilidade de investir com custos baixos e diretamente via bolsa comprando cotas desses fundos, parece exagerado compartilhar 20% dos excessos de ganhos sobre o capital do investidor que é quem, no final das contas, está tomando os riscos.

Liquidez

Hoje os fundos mais líquidos do mercado têm liquidez diária. Ou seja, uma vez por dia você pode aplicar ou resgatar seus investimentos. Ainda assim, os ETFs conseguem ser mais líquidos. Por serem listados em bolsa permitem que o investidor compre e venda diversas vezes ao longo do dia o mesmo ativo.

Entretanto, a grande diferença de liquidez é contra os fundos com longos períodos de cotização. É comum encontrar fundos de ações com 30, 60 ou 90 dias para resgate e fundos de crédito privado de 180 ou mais dias para resgate.

O problema da liquidez em fundos normais

Esses períodos no qual o investidor não consegue ter acesso aos seus recursos têm uma explicação. Parte do trabalho dos gestores é organizar os prazos de aplicações e resgates para ter certeza de que terão dinheiro em conta para vencer os resgates de seus cotistas. Esse trabalho é conhecido como “asset liability management” ou ALM.

Quando gestores não fazem um bom trabalho de casar os investimentos e a liquidez prometida, os fundos podem ter de se desfazer de ativos com grandes descontos e prejudicar muito a rentabilidade do fundo, muitas vezes de forma irreversível. Esse problema é comum em fundos de crédito com poucos dias para resgate em momentos de estresse de mercado.

Por isso é normal que fundos de crédito contem com alguma parcela em ativos similares a caixa como LFTs atreladas à taxa Selic ou ativos remunerados ao CDI. Essa parcela acaba tendo retornos menores do que o esperado em geral, e é conhecida como “cash drag”, ou em tradução livre “arrasto de caixa”. É de se convir que a maioria dos investidores não está mais disposta a pagar altas taxas para ter parcelas dos investimentos em caixa.

Em fundos de ações, o problema também gera implicações de retorno. Em períodos de grandes resgates, é comum que os gestores aloquem parte significativa da carteira em ETFs de grande liquidez que seguem o Ibovespa. O que, na prática, é muito ineficiente do lado do investidor, que acaba pagando taxas altas para ter uma parcela grande da carteira investida em ETFs indexados.

Quando os fundos têm prazos mais longos de cotização e resgates, podem alocar em ativos menos líquidos. Mas quem acaba arcando com os “custos” dessa troca (“trade-off”) é o investidor que perde liquidez nos seus investimentos.

A vantagem de liquidez dos ETFs

É aí que encontramos uma das melhores vantagens dos ETFs. Esses fundos contam com várias camadas de liquidez. Em primeiro lugar, as cotas são negociadas em bolsa, quando um investidor deseja vender e outro comprar, há uma transação. Depois, os fundos ainda contam com formadores de mercado, que garantem execução de ordens maiores de compra e venda e, por último, os ETFs ainda podem criar ou destruir cotas, mecanismo que iguala a liquidez do fundo a, no mínimo, a liquidez de seus ativos.

O processo de criação e destruição de cotas evita o cash-drag, pois permite que os ETFs permaneçam quase que totalmente alocados de acordo com as estratégias de investimento. Esse é um dos motivos que tornam os ETFs um dos instrumentos mais eficientes do mercado.

Transparência

Ao investir em um fundo, seu regulamento traz controles sobre políticas de investimento e, assim, os graus de risco que esse fundo pode tomar em nome de seus clientes. Essa é a principal forma de controle sobre a gestão dos recursos em um fundo.

Porém, geralmente os investidores só descobrem no que estão de fato investindo com 3 meses de atraso. Isso, porque esse é o prazo máximo que a CVM requer para divulgação das posições das carteiras dos fundos.

A falta de transparência sobre carteiras de fundos que não são ETFs torna comum que o investidor experiencie surpresas de performance, principalmente em momentos de crise.

São muitas as histórias de fundos que em momentos de virada de mercado estavam alavancados, ou “de pé trocado” (exemplo: fundos de ação vendidos em futuros de dólar).

Os ETFs por sua vez têm sua carteira divulgada diariamente e sua política de investimento é rígida: o fundo replica o índice que tem regras claras e objetivas. Do lado do gestor, seu mandato em um ETF é seguir fielmente o índice. Para ETFs de ações, o gestor não pode deixar o fundo se distanciar mais do que 2% em um intervalo de 60 pregões, para renda fixa, esse valor é 1%. Dessa forma o investidor tem segurança de que o ETF vai seguir a performance dos ativos que investe.

Por essas e outras, os ETFs elevam os benefícios de se investir em fundos a novos patamares.

Acessibilidade

Além de todos os pontos acima, os ETFs são extremamente acessíveis.

Eles estão disponíveis em qualquer corretora e, na maioria dos casos, é possível investir em suas cotas a partir de 100 reais.

Mais sobre ETFs

Os ETFs alteraram profundamente a forma como os investidores procuram rendimentos, fazem a gestão de riscos e constroem carteiras. Eles são importantes ferramentas de democratização do mercado financeiro, pois tornam acessíveis estratégias qualificadas e ativos robustos, que antes só estariam disponíveis a investidores de alto poder aquisitivo, ampliando o mercado para investidores menores ou iniciantes.

Também conhecido como fundo indexado ou de índice, o ETF tem como um dos seus principais diferenciais estar atrelado e refletir um índice de referência. Isso torna esse tipo de investimento mais simples de ser acompanhado e monitorado, oferecendo subsídio para o investidor cobrar o gestor. A gestão do ETF, apesar de profissional, não exige tanta interferência do gestor e, por isso, possui menor custo e risco mais baixo de uma má gestão. Por isso é recomendado também para investidores que estão ingressando ou que não acompanham o mercado.

No entanto, se posiciona como um ótimo tipo de investimento para os mais diversos perfis de investidores graças a diversas vantagens. São elas:

  • Baixo custo, taxas mais baixas e sem taxa sobre performance;
  • Baixos valores de entrada;
  • Baixos custos de transação dentro do fundo, os tornam eficientes;
  • Eficiência fiscal com incentivo para renda fixa na maior parte dos casos;
  • Maior expectativa de retorno, pois na média registram melhor histórico de desempenho em comparação com fundos de gestão ativa;
  • Altamente diversificados, sem concentração de ativos específicos e individuais e ainda oferecem portfólios temáticos, possibilidade de rotação de ativos e negociação intradiária;
  • Transparentes: atrelados a índices e com visibilidade diária dos ativos em que se está investindo;
  • Sem intermediários: mais simples de serem operados e acompanhados;
  • Acesso a ativos que estão fora da bolsa de valores.

Durante períodos de volatilidade ou baixa liquidez do mercado, também podem atuar como amortecedores de desvalorização, permitindo que compradores e vendedores operem na bolsa sem terem de negociar os títulos subjacentes. A negociação em bolsa de ETFs proporciona a descoberta de preços, ajudando os investidores a identificarem o preço de mercado adequado dos títulos com base em fatores como oferta e procura. Este processo de descoberta de preços pode ajudar a aumentar a liquidez e a resiliência do mercado.